# PR-019 [RUNTIME]: Break Monolith Runtime ## Briefing O runtime acumulou alguns monolitos que ja estao acima do limite aceitavel de ownership e review: `prometeu-vm/src/virtual_machine.rs` passou de 5k linhas, `prometeu-system/src/virtual_machine_runtime.rs` concentra orquestracao e dispatch em um unico arquivo, e `prometeu-hal/src/syscalls.rs` mistura catalogo, metadata, resolucao e testes em uma superficie unica. Esta PR nao existe para "quebrar arquivo grande". Ela existe para restaurar fronteiras arquiteturais sem alterar as invariantes normativas do runtime. A referencia canonica continua sendo `docs/runtime/virtual-machine/ARCHITECTURE.md`; a modularizacao proposta abaixo precisa servir essa arquitetura, nao competir com ela. ## Problema - ownership estrutural esta difuso entre VM, runtime de sistema e superficie de syscalls; - review perde precisao porque codigo de dominio, cola de orquestracao, helpers e testes convivem no mesmo bloco; - testes internos gigantes escondem fronteiras ruins em vez de reforcar contratos pequenos; - qualquer mudanca em GC, loader, scheduler ou syscall dispatch exige navegar arquivos que concentram responsabilidades demais; - o risco atual e trocar evolucao arquitetural por manutencao oportunista em zonas de baixa coesao. ## Alvo - `crates/console/prometeu-vm/src/virtual_machine.rs` - `crates/console/prometeu-system/src/virtual_machine_runtime.rs` - `crates/console/prometeu-hal/src/syscalls.rs` - testes diretamente acoplados a esses monolitos ## Escopo - Definir a topologia modular alvo para a VM, para o runtime de sistema e para a superficie de syscalls. - Manter `VirtualMachine`, `VirtualMachineRuntime` e a API publica de syscalls como facades estaveis, movendo implementacao para modulos internos coesos. - Separar tres tipos de responsabilidade que hoje aparecem colapsados: - catalogo e metadata; - execucao/orquestracao; - testes e fixtures. - Mover testes unitarios para junto do modulo dono do comportamento quando isso reforcar ownership. - Promover para testes de integracao apenas os cenarios que cruzam VM, runtime e hardware bridge. ## Topologia Proposta ### 1. `prometeu-hal/src/syscalls/` Objetivo: isolar definicao de contrato de syscall da logica de resolucao e da organizacao por dominio. Estrutura alvo: - `mod.rs`: facade publica atual (`Syscall`, `SyscallMeta`, `resolve_*`, `meta_for`) - `registry.rs`: enum `Syscall`, `SyscallIdentity`, `SyscallMeta`, tabela canonica e helpers de lookup - `caps.rs`: flags de capability e mapeamento capability -> syscall - `resolver.rs`: `resolve_syscall`, `resolve_program_syscalls`, validacoes de ABI e capability - `domains/system.rs` - `domains/gfx.rs` - `domains/input.rs` - `domains/audio.rs` - `domains/fs.rs` - `domains/log.rs` - `domains/asset.rs` - `domains/bank.rs` - `tests/` ou modulos de teste adjacentes para resolver, metadata e cobertura de catalogo Regra: dominio organiza catalogo e metadata; resolver nao vira dono de comportamento de runtime. ### 2. `prometeu-system/src/runtime/` Objetivo: fazer `VirtualMachineRuntime` voltar a ser uma fachada de orquestracao, nao um deposito de regras de dominio. Estrutura alvo: - `mod.rs`: define `VirtualMachineRuntime` e reexporta a API publica existente - `state.rs`: estado mutavel do runtime, handles, crash report, identity, ciclo de vida de cartridge - `lifecycle.rs`: `new`, `reset`, `initialize_vm`, limpeza de estado e aplicacao de capabilities - `tick.rs`: `tick`, `debug_step_instruction`, traducao de faults/panics e logica de frame logico - `dispatch.rs`: roteamento de syscall por dominio, sem carregar regra de negocio inline - `domains/log.rs` - `domains/fs.rs` - `domains/input.rs` - `domains/gfx.rs` - `domains/audio.rs` - `domains/asset.rs` - `domains/bank.rs` - `support.rs` apenas se restar infraestrutura compartilhada claramente reutilizada Regra: o runtime central coordena estado, VM e bridges; cada modulo de dominio implementa apenas o contrato daquele dominio. ### 3. `prometeu-vm/src/virtual_machine/` Objetivo: separar interpretacao, loader, GC e ABI interna sem fragmentar a API publica da VM. Estrutura alvo: - `mod.rs`: define `VirtualMachine` e centraliza a fachada publica - `loader.rs`: parse/load, patching de hostcalls, init e pre-condicoes de verificacao - `exec.rs`: loop de execucao, step/run, dispatch de opcode e motivos de parada - `stack.rs`: operand stack helpers, traps de underflow/type mismatch e operacoes primitivas - `calls.rs`: prepare_call, call frames, locals e calling convention - `gc.rs`: safepoint, coleta, root walking e invariantes de heap runtime - `syscall_abi.rs`: ponte VM <-> `NativeInterface`, aridade, return slots e checagens defensivas - `breakpoints.rs` se a logica de debugger continuar crescendo - `test_support.rs`: fixtures internas pequenas que realmente pertencem a VM Regra: nenhum modulo novo deve misturar loader, execucao e GC na mesma unidade "por conveniencia". ## Criterio de Coesao - cada modulo precisa responder por um unico eixo de invariantes que faca sentido em review; - modulos podem compartilhar tipos, mas nao ownership difuso; - `mod.rs` e facade, nao novo monolito; - `common.rs`, `utils.rs`, `misc.rs` ou equivalentes so sao aceitaveis se houver justificativa objetiva e temporaria; - testes devem morar onde a regra nasce, nao onde sobrou espaco. ## Fora de Escopo - alterar semantica da VM, scheduler, GC ou syscall ABI; - redesenhar contratos publicos sem necessidade arquitetural real; - reescrever o runtime inteiro de uma vez; - mover codigo entre crates sem prova de que a fronteira de crate atual esta errada; - reorganizacao cosmetica sem reducao de acoplamento. ## Abordagem 1. Congelar as invariantes arquiteturais no documento canonico atual; se alguma extracao exigir mudanca de invariante, esta PR para e volta para discussao arquitetural. 2. Extrair primeiro a superficie de syscalls em `prometeu-hal`, porque ela define catalogo e metadata consumidos pelos outros lados. 3. Separar `VirtualMachineRuntime` em estado, lifecycle, tick e dispatch, preservando a API publica e o comportamento observavel. 4. Extrair a VM por blocos de maior densidade semantica: loader, execucao, GC, syscall ABI e stack helpers. 5. Migrar testes no mesmo passo da extracao: - teste de regra local fica adjacente ao modulo; - teste que cruza VM + runtime + bridge vira integracao. 6. A cada etapa, manter o diff comportamental pequeno e verificavel; modularizacao grande demais sem checkpoints tende a esconder regressao. ## Criterios de Aceite - Existe uma topologia aprovada para os tres monolitos principais: VM, runtime de sistema e syscalls. - `VirtualMachine`, `VirtualMachineRuntime` e a API publica de syscalls continuam como facades claras, sem vazamento arbitrario de detalhes internos. - Resolver de syscalls, dispatch de runtime e loop interno da VM deixam de conviver no mesmo arquivo monolitico de origem. - A fronteira entre dominio, orquestracao e infraestrutura fica explicita em nomes de modulos e ownership. - Testes sao redistribuidos com criterio: - unitario perto do modulo dono; - integracao para cruzamentos reais. - Nenhuma etapa exige alteracao funcional da semantica atual para ser considerada concluida. ## Tests - Rodar suites existentes de `prometeu-hal`, `prometeu-vm` e `prometeu-system` a cada extracao relevante. - Manter cobertura especifica para: - resolucao e metadata de syscalls; - init/load da VM; - traps/panics e traducao de faults no runtime; - GC e scheduler nos pontos de safepoint ja existentes. - Adicionar ou promover testes de integracao quando a extracao cruzar crate boundary ou `NativeInterface`. - Validar que a modularizacao nao muda API publica observavel nem quebra a arquitetura canonica documentada. ## Risco Medio. O risco principal e substituir um monolito explicito por varios modulos com ownership artificial, distribuindo acoplamento em vez de reduzi-lo. O antidoto aqui e simples: cada extracao precisa nascer com fronteira defensavel, testes no dono correto e facade central pequena. Sem isso, a PR nao deve avancar para implementacao.